O papel do pai no sistema familiar: um caminho para o mundo

Na Visão sistêmica cada membro da família ocupa uma função no sistema.
O papel do Pai, primeiramente é, junto à mãe, para perpetuar a vida no sistema. O pai transmite aos seus descendentes o masculino e tudo o que essa força representa; comunicação, socialização, força, energia, ir para o mundo e a vontade de conquistar algo maior.
Pai é aquele que nos mostra o mundo. Que nos inspira coragem e faz seguir em frente. A energia masculina, do homem, é uma energia de ação, por isso, quando não tomamos essa força tendemos a ficar passivos e inertes.
Segundo Bert Hellinger:
“Somente na mão do pai a criança ganha um caminho para o mundo.
As mães não podem fazê-lo. O amor dele não é cuidadoso nesta forma como
é o amor da mãe. O Pai representa o espírito. Por isso o olhar do pai vai
para a amplitude. Enquanto a mãe se move dentro de uma área limitada, o pai
nos leva para além desses limites.”
Essa liberdade que a figura masculina oferece, é necessária para que o filho possa seguir seu próprio caminho.
O progresso e o desenvolvimento vem principalmente através do pai. Portanto, quando a mãe não permite que o filho tome esse pai, ela limita também o progresso da criança.
Quando os pais são difíceis: o que fazer?
Não aceitar o pai ou a mãe dentro do coração, independentemente de quem sejam eles, é não aceitar a sua própria humanidade.
O filho que rejeita os pais ou acredita que eles deveriam ser diferentes do que são, estão rejeitando a sua própria vida.
Portanto, quando o pai não é aceito pelo filho, quando esse filho julga o pai, o nega, o exclui, está negando e excluindo uma parte de si mesmo.
Dessa forma, para que os filhos se sintam inteiros, o caminho da aceitação é extremamente importante.
Existe um movimento simples que deve existir: cada um vai da mãe para o pai e através do pai para o mundo, com esse movimento o filho se completa, é essencial para a nosso equilíbrio e força alinharmos a imagem de pai em nós à consciência de tudo o que ele representa em nossa vida.
Olhar para o pai e se permitir percebê-lo além de qualquer julgamento que tenhamos do homem que está neste papel, e se conectar com a força da vida e do sagrado masculino que chega até nós por meio dele. – Jones Fonseca
Na carta a seu Pai, o autor Bert Hellinger reconhece o quanto já foi juiz de seu pai:
Querido papai, por muito tempo eu não soube o que me faltava mais intimamente.
Por muito tempo, querido papai, você foi expulso de meu coração.
De repente, você voltou a mim, como de muito longe.
Quando penso o quanto me coloquei muitas vezes acima de você, quanto medo também eu tinha de você, porque muitas vezes você me batia e me causava dores, e quão longe eu o expulsei de meu coração e tive de expulsá-lo, porque minha mãe se colocava entre nós; somente agora percebo como fiquei vazio e solitário, e como que separado da vida plena.
Agora começo a entender que foi por você que, dia a dia, nossa sobrevivência era assegurada sem que percebêssemos em nosso íntimo quanto amor você derramava sobre nós, sempre igual, sempre visando o nosso bem-estar e, não obstante, como que excluído de nossos corações.
Agora me vêm lágrimas, querido papai.
Eu me inclino diante de sua grandeza e tomo você em meu coração..
Você permanece o grande como meu pai, e tomo você e tudo que recebi de você, como seu filho querido.
Bert Hellinger nos ensina a deixar com os pais o que pertence ao destino deles, reconhecê-los como seres humanos, ou seja, pessoas normais como nós, e que vieram de seus próprios conflitos e emaranhamentos familiares.
Acima de tudo, honrar pai e mãe é tomar a vida que recebeu dos seus pais e fazer algo de bom dela.

Facilitadora Sistêmica
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Referências Bibliográficas
HELLINGER, BERT – Um lugar para os Excluídos. Editora Atman.
HELLINGER, BERT – As Ordens do Amor. Editora Cultrix.
FONSECA, JONES – Constelação Familiar em grupo. Março, 2020.
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